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Lula liga ao vivo para Dino durante evento no Pará, chamada falha e Flávio Bolsonaro ataca gesto

Lula fala ao telefone durante evento oficial em Belém, no Pará

Lula liga ao vivo para Dino durante evento no Pará, chamada falha e Flávio Bolsonaro ataca gesto

Durante um evento oficial em Belém, nesta terça-feira (29/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligou ao vivo para o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Lula queria informar o magistrado sobre a sanção de um projeto de lei que ele mesmo criou quando ainda era senador. No entanto, problemas técnicos impediram que o público ouvisse a resposta de Dino.

Com o telefone no viva-voz, Lula afirmou: “Ô, Flávio, deixa eu lhe falar uma coisa: eu estou aqui em Belém, vou sancionar a lei da dor de um pai, o projeto que você fez e foi aprovado por causa da morte do seu filho de 13 anos.” Na sequência, o presidente completou que não queria sancionar a lei sem antes avisar o autor original do texto. Apesar disso, a ligação caiu antes que Dino conseguisse falar diretamente com a plateia.

O gesto rendeu críticas imediatas do senador Flávio Bolsonaro, principal adversário do petista na disputa presidencial. Nas redes sociais, o senador questionou se Dino ainda mantém algum tipo de subordinação política ao Planalto. Para Bolsonaro, a passagem do ministro pelo comando da Justiça, entre 2023 e 2024, explicaria essa proximidade com Lula.

A cerimônia aconteceu no Hospital João de Deus, na capital paraense. O evento tratou da assinatura de uma proposta voltada ao controle e à avaliação da qualidade da assistência médica oferecida pela rede privada. Diante disso, a presença de Dino na conversa surpreendeu parte dos presentes, já que o tema tratado não tinha relação direta com o STF.

“Lei da dor de um pai” tem origem em tragédia pessoal

Dino idealizou o projeto ainda quando ocupava o mandato de senador. A proposta nasceu de uma tragédia pessoal: o filho do ministro, então com 13 anos, morreu em 2012 por falhas no atendimento de um hospital. Por isso, o magistrado defendeu mudanças na fiscalização de hospitais e planos de saúde.

Lula justificou a ligação como um gesto de respeito ao trabalho anterior de Dino no Congresso. Segundo o presidente, sancionar a lei sem avisar o autor soaria como desconsideração. Ainda assim, a forma escolhida, uma ligação ao vivo e amplificada para o público, chamou atenção pela informalidade.

A ligação chegou a tocar diante das câmeras, mas a conexão falhou minutos depois. Dino não conseguiu concluir nenhuma frase audível para a plateia presente no hospital. Com isso, o momento ficou marcado mais pela tentativa do que pela resposta do ministro.

Falha técnica interrompe a transmissão

Apesar da falha técnica, o episódio ganhou repercussão nas redes sociais ainda durante a tarde. Opositores do governo usaram a cena para reforçar críticas sobre a proximidade entre Lula e ministros do STF. Aliados do presidente, por outro lado, minimizaram o episódio e classificaram a ligação como um gesto pessoal e sem intenção política.

O bate-boca on-line reacende um debate antigo sobre os limites entre os Poderes. Na prática, episódios como esse alimentam a narrativa de bolsonaristas sobre suposta influência do Executivo sobre o Judiciário. Dino, até o momento, não se pronunciou publicamente sobre as críticas do senador.

O Palácio do Planalto também não comentou o caso além da fala do próprio presidente durante o evento. Por fim, o vídeo da ligação segue circulando nas redes, alimentando o debate entre apoiadores e críticos do governo. A sanção da lei, apelidada de “lei da dor de um pai”, segue confirmada apesar do imprevisto técnico.

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