Ex-cunhado de Gilmar Mendes articulou reuniões no STF e recebeu pagamentos de Daniel Vorcaro, revela PF
Investigações da Polícia Federal revelaram que o ex-senador Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, conhecido como Chiquinho Feitosa (Republicanos), manteve intensas interlocuções em 2024 com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As conversas apontam para tratativas em torno de processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) à época em que Feitosa era cunhado do ministro Gilmar Mendes.
Os diálogos obtidos pelas autoridades no aparelho celular de Vorcaro mostram que o ex-parlamentar recebia pagamentos mensais para desempenhar serviços de assessoria. Chiquinho Feitosa é irmão da advogada Guiomar Feitosa, casada com o decano do STF até o divórcio do casal, formalizado em novembro de 2025.
Contratos e repasses sob investigação
As apurações detalham que os pagamentos eram alinhados de forma direta entre Chiquinho e o banqueiro. Em mensagens interceptadas de setembro de 2024, o ex-senador prestava contas das demandas recebidas e acertava a emissão de notas fiscais relativas aos serviços prestados, afirmando dedicação total aos interesses do contratante.
Em diálogos paralelos envolvendo o empresário Leonardo Palhares, identificado pela Polícia Federal como operador do Banco Master, confirmou-se que a remuneração mensal estipulada era de R$ 500 mil líquidos. O acordo ainda previa o acréscimo de uma parcela inicial de honorários extras no montante de R$ 800 mil líquidos, operacionalizada por meio da empresa Super Empreendimentos.
Processos em pauta e articulação de audiências
Entre as demandas acompanhadas por Chiquinho estavam dois litígios estratégicos: uma disputa sobre precatórios da Usina Agroindustrial Tabu adquiridos por fundos do Master e a definição de normas para a criação de vagas em cursos de medicina, relatada pelo próprio Gilmar Mendes. Nas duas ocasiões, contudo, o ministro votou de forma desfavorável aos pleitos defendidos pela instituição financeira.
As mensagens também documentam a tentativa de agendamento de encontros diretos com o ministro. Em abril de 2024, Feitosa estruturou uma proposta de reunião na qual entraria primeiro sozinho e, em seguida, integraria o diretor jurídico do Banco Master e o advogado Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União contratado para atuar no processo dos precatórios.
Aproximações institucionais e eventos
As tratativas não se limitaram aos despachos processuais e abrangeram a participação do banco em eventos acadêmicos e viagens ao exterior. Em uma das ocasiões, Vorcaro e Chiquinho debateram o patrocínio ou presença da marca Master em um seminário promovido pelo IDP, instituição de ensino ligada ao ministro. Naquele momento, o ex-senador recomendou cautela e sugeriu suprimir o nome da instituição financeira para não gerar exposição prematura.
Em paralelo, Chiquinho mencionou uma reunião com sua própria irmã, Guiomar Feitosa, para avaliar a contratação de seus serviços jurídicos. Guiomar, posteriormente, confirmou ter sido procurada por intermédio do irmão, mas destacou que recusou a atuação formal porque as demandas não foram claramente apresentadas.
Posicionamento das defesas e desdobramentos policiais
Inicialmente, Chiquinho Feitosa negou qualquer vínculo de trabalho com o Banco Master, mas recuou e admitiu ter prestado consultoria temporária à Super Empreendimentos, ressaltando que a julgava uma companhia idônea na ocasião e refutando ter intermediado audiências no tribunal. Já o advogado Bruno Bianco enfatizou que exerceu representação estritamente autônoma e técnica da advocacia e que os recursos em que atuou acabaram rejeitados por unanimidade no STF.
O caso ganha repercussão no momento em que a Polícia Federal intensifica a apuração de esquemas de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro em torno do Banco Master. Daniel Vorcaro, atualmente detido na Papudinha, e seu pai, Henrique Vorcaro, foram recentemente intimados a prestar novos depoimentos para o encerramento da terceira fase do inquérito policial.



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