EUA transferem drones Reaper da África para intensificar operações na América do Sul
O exército dos Estados Unidos vai transferir drones MQ-9 Reaper que hoje operam na África para o comando militar responsável pela América do Sul. Seis fontes ligadas ao planejamento confirmaram a movimentação à CNN. De acordo com essas fontes, a mudança faz parte de uma onda maior de equipamento militar deslocado para a região.
No ano passado, o Pentágono já havia enviado drones MQ-9, caças F-35 e pelo menos um avião de ataque AC-130 para o Caribe. Essa movimentação integrou a campanha contra supostos barcos de tráfico de drogas. Agora, porém, o governo Trump detalha publicamente planos para ampliar operações terrestres junto a países parceiros na América do Sul.
Equador entra no radar das operações
Ainda não há confirmação sobre quantos drones vão sair do Comando Africano. Uma das fontes, no entanto, afirmou que a maioria dos aparelhos deve seguir para a nova frente de atuação. Segundo essa mesma fonte, a transferência antecede operações antidrogas e antiterrorismo planejadas para a região, incluindo possíveis ações no Equador.
O país já conduz operações militares conjuntas com os Estados Unidos desde o início deste ano contra organizações classificadas como terroristas. Outra fonte revelou ainda haver discussões sobre enviar parte dos drones para o Oriente Médio. Isso porque o exército americano perdeu equipamentos, entre eles MQ-9s, durante o confronto com o Irã.
O afastamento da África ocorre mesmo com o risco de terrorismo ainda presente no continente. Líderes militares americanos já alertaram que grupos como o ISIS e o al-Shabaab seguem ativos à medida que a presença dos Estados Unidos diminui. Apesar disso, o país mantém um ritmo constante de ataques e operações conjuntas contra essas organizações.
Prioridade militar muda de continente
Fontes ouvidas pela CNN garantem que o combate a grupos terroristas na África vai continuar. Algumas delas, contudo, temem que a saída de recursos como os MQ-9 torne essas operações mais difíceis. O Pentágono não quis comentar o assunto.
Em janeiro, o secretário de Defesa Pete Hegseth definiu a defesa do território americano e do hemisfério ocidental como prioridade número um na Estratégia Nacional de Defesa. Diante de interesses concorrentes no Pacífico, no Oriente Médio e na Europa, a atuação militar na África já ocupava posição secundária há anos. Por isso, a realocação de drones surpreende menos do que parece.
A CNN revelou anteriormente que o governo Trump produziu, no ano passado, um parecer jurídico sigiloso para justificar ataques letais contra uma lista secreta de cartéis e suspeitos de narcotráfico. O documento, elaborado pelo Escritório de Assessoria Jurídica do Departamento de Justiça, argumenta que o presidente pode autorizar o uso de força letal por considerar esses grupos uma ameaça iminente. Segundo especialistas jurídicos, o texto também abre espaço para tratar traficantes como combatentes inimigos, sem revisão judicial.
Colômbia, Panamá e a expansão das parcerias
Em agosto, durante conferência no Panamá, Hegseth elogiou Equador, Honduras, Guatemala, Jamaica e Colômbia pelas parcerias firmadas com os Estados Unidos. Ele destacou que a Colômbia já pediu apoio direto do Departamento de Guerra para combater o narcoterrorismo em seu território. Na semana passada, o secretário de Estado Marco Rubio reforçou o discurso ao prometer uma “era dourada” na relação entre os dois países.
Ainda segundo reportagem da CNN, o presidente colombiano Abelardo de la Espriella fechou acordo para receber três drones MQ-9A Reaper emprestados pelos Estados Unidos. Os equipamentos vão monitorar corredores de narcotráfico e podem realizar ataques de precisão. Na quinta-feira, a embaixada americana no Panamá anunciou a entrega de mais de US$ 6 milhões em sistemas de drones de longo alcance ao país.
O objetivo declarado é dar ao Serviço Aeronaval Nacional panamenho capacidade de monitorar fronteiras remotas e proteger corredores marítimos estratégicos. Há meses, o Departamento de Defesa realiza ataques contra supostos traficantes no Caribe e no Pacífico oriental, que já mataram pelo menos 230 pessoas. Autoridades e especialistas, contudo, dizem que não há evidência clara de impacto real no comércio de drogas da região.
Para uma autoridade ouvida pela CNN, a queda projetada nas apreensões marítimas de cocaína pode simplesmente indicar que os cartéis mudaram de rota. Um especialista chegou a classificar a campanha de ataques como “performática”, já que o tráfico raramente usa o tipo de embarcação visada. Nas últimas semanas, por conta disso, os Estados Unidos passaram a interceptar embarcações, remover as tripulações e afundar os barcos depois.
Rubio explicou que a mudança de tática decorre da necessidade de coordenação com outros países nas operações conjuntas. Segundo ele, cada nação parceira tem suas próprias leis e sistemas a cumprir, o que exige ajustes caso a caso. Apesar da nova abordagem, os Estados Unidos não abandonaram os ataques a embarcações tripuladas, como mostrou a ação de 9 de setembro no Caribe, que matou três pessoas.



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