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STF adia decisão sobre Moraes e imprensa internacional aponta risco à eleição no Brasil

Foto de Donald Trump com a bandeira do Estados unidos ao fundo

STF adia decisão sobre Moraes e imprensa internacional aponta risco à eleição no Brasil

Uma sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal terminou sem definição sobre o futuro do ministro Alexandre de Moraes nesta terça-feira (15/09) e ganhou repercussão em veículos de peso ao redor do mundo. Jornais como The Guardian, El País e agências como Associated Press e Bloomberg trataram o episódio como sinal de instabilidade institucional às vésperas da eleição presidencial de outubro.

De acordo com o The Guardian, o Brasil vive a maior crise em sua Suprema Corte desde a redemocratização, nos anos 1980. O jornal britânico descreveu um confronto direto entre magistrados rivais e associou o episódio a consequências imprevisíveis para a democracia do país.

Segundo a reportagem, a disputa opõe Alexandre de Moraes, praticante de artes marciais e figura de perfil combativo, ao ministro Mendonça, pastor presbiteriano e único integrante evangélico da corte. Para o Guardian, esse embate reproduz, em certa medida, a própria polarização eleitoral entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.

Ainda segundo o jornal, o ex-presidente Michel Temer indicou Moraes ao STF, mas boa parte da opinião pública passou a associar o ministro a Lula. Essa percepção cresceu depois da atuação de Moraes na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe após a derrota eleitoral de 2022.

Escândalo do Banco Master aumenta a pressão política

O Guardian também citou o escândalo envolvendo o Banco Master como fator que ampliou a tensão dentro do tribunal. Para o veículo, a crise tende a prejudicar as chances de Lula buscar um quarto mandato, já que parte do eleitorado liga o presidente diretamente às decisões de Moraes.

Já o jornal espanhol El País destacou os insultos trocados entre ministros durante a sessão de terça-feira. Segundo o texto, os magistrados suspenderam a audiência antes mesmo de discutir a abertura de um inquérito contra um colega, algo inédito nos 135 anos de história da corte.

O El País ressaltou ainda a transparência do processo, transmitido ao vivo pelo YouTube para qualquer pessoa interessada. Apesar disso, o jornal apontou que as consequências do caso na eleição de 4 de outubro seguem incertas.

De acordo com pesquisas citadas pelo veículo espanhol, 85% dos eleitores afirmam que o escândalo não mudará seu voto. Por outro lado, o próprio El País lembrou que a disputa está tão acirrada que uma pequena fatia de indecisos pode decidir a vitória entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Decisão pode ficar só para depois da eleição

O Washington Post publicou reportagem da Associated Press informando que o STF suspendeu as deliberações sobre Moraes e pode retomar o caso apenas em dezembro. Nessa hipótese, o julgamento ficaria para muito depois do pleito de outubro, período em que Lula e Flávio Bolsonaro despontam como os nomes mais competitivos.

Para a AP, Moraes e Mendonça estão no centro de uma crise sem precedentes na corte e representam polos opostos do espectro político brasileiro. Na mesma linha, a agência Bloomberg intitulou sua cobertura destacando que o adiamento da decisão sobre Moraes joga mais incerteza sobre a eleição.

Diante desse cenário, a repercussão internacional reforça a percepção de que o desfecho do caso Moraes vai muito além dos limites do Judiciário. Por fim, o episódio expõe como a disputa entre poderes no Brasil já entrou de vez no radar da imprensa global às vésperas de uma eleição decisiva.

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