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PF afirma que Vorcaro sabia de investigação sigilosa antes de ser preso em operação contra o Banco Master

PF afirma que Vorcaro sabia de investigação sigilosa antes de ser preso em operação contra o Banco Master

A Polícia Federal reuniu indícios de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sabia com antecedência da existência de uma investigação sigilosa aberta contra ele antes da operação que resultou em sua prisão, em novembro de 2025. A informação está em documentos que tiveram o sigilo retirado por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

Segundo a corporação, o banqueiro não apenas sabia da apuração em curso, mas também tinha conhecimento de detalhes internos do processo, como a vara responsável, o nome do juiz que conduzia o feito e a identidade de integrantes da equipe de investigação.

A delegada responsável pelo caso registrou que já havia ‘indícios veementes’ de que Vorcaro obteve essas informações antes da deflagração da operação. A afirmação consta de um pedido de prorrogação do inquérito apresentado pela PF ainda em novembro de 2025.

Para a polícia, esse acesso antecipado reforçava a suspeita de que o empresário planejava deixar o país. O documento cita a gravidade da situação como um elemento que corroborava a intenção de fuga do principal investigado nos autos.

Celular apreendido reforça suspeitas

Um relatório posterior, elaborado a partir do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, acrescentou outro elemento à investigação. A PF afirmou ter encontrado indícios de que o banqueiro sabia das medidas cautelares que seriam aplicadas contra ele já no dia 18 de novembro de 2025, data da primeira fase da chamada Operação Compliance Zero.

Na véspera da operação, o advogado Walfrido Warde teria compartilhado com Vorcaro uma captura de conversa com um contato identificado como ‘Ricardo Leite’. De acordo com a PF, as mensagens indicavam que esse interlocutor seria, provavelmente, o juiz responsável pelas cautelares previstas para o dia seguinte.

Ricardo Augusto Soares Leite atuava como juiz federal substituto da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, unidade que conduzia procedimentos sigilosos ligados à apuração. Documentos do processo mostram decisões assinadas por ele em medidas cautelares relacionadas ao caso.

Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. No dia seguinte, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes em operações financeiras envolvendo o Banco Master e o BRB.

Sigilo derrubado em meio a crise no STF

Os documentos vieram a público depois que o presidente do STF, Edson Fachin, determinou a retirada do sigilo das investigações do Banco Master e dos processos relacionados ao caso. Fachin também mandou que o material fosse encaminhado a todos os ministros antes de um julgamento marcado para 15 de setembro.

André Mendonça, relator das investigações, atendeu ao despacho e liberou os documentos, determinando ainda o envio de cópia integral à Presidência do STF e aos demais integrantes da Corte.

A liberação do material ocorre em meio a uma crise interna no Supremo, deflagrada depois que relatórios da PF citaram contatos de Vorcaro com integrantes da Corte. Mendonça chegou a afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, decisão que gerou disputas internas e levou Fachin a concentrar na Presidência do STF a análise dos processos ligados ao caso.

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