×

Recusa de Flávio Bolsonaro à escolta da PF provoca desconforto entre delegados e gera debate nos bastidores

Recusa de Flávio Bolsonaro à escolta da PF provoca desconforto entre delegados e gera debate nos bastidores

A decisão do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de abrir mão da escolta oferecida pela Polícia Federal durante a campanha eleitoral repercutiu internamente na corporação e gerou incômodo entre delegados federais. A atitude foi interpretada por integrantes da instituição como um gesto de caráter político, além de colocar em dúvida a capacidade técnica da PF para garantir a segurança de candidatos em disputas eleitorais.

Segundo relatos de pessoas ligadas à Polícia Federal, a manifestação do senador foi recebida com surpresa e insatisfação. Delegados destacam que a corporação possui profissionais altamente qualificados para atuar na proteção de autoridades e candidatos, independentemente de posicionamentos políticos ou do governo de ocasião. Para eles, o trabalho desempenhado pela instituição segue critérios técnicos e profissionais.

A polêmica começou após Flávio Bolsonaro divulgar que não aceitaria a equipe de segurança disponibilizada pela PF. Em sua justificativa, o parlamentar afirmou não confiar na atual direção da instituição e disse preferir que os policiais que seriam destinados à sua proteção fossem deslocados para reforçar as investigações sobre as fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.

Apesar da recusa, especialistas lembram que o senador não ficará sem proteção. Como integrante do Senado Federal, ele continuará contando com a equipe da Polícia Legislativa, responsável pela segurança dos parlamentares. Ainda assim, profissionais da área ressaltam que a estrutura oferecida pela Polícia Federal possui recursos mais amplos, incluindo inteligência, análise de ameaças, planejamento operacional, monitoramento de redes sociais e coordenação de deslocamentos em diferentes estados do país.

Representantes da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) também saíram em defesa da instituição. O presidente da entidade, Edvandir Felix de Paiva, afirmou que a PF possui experiência suficiente para garantir a segurança de qualquer candidato, independentemente de sua filiação partidária ou posição ideológica. Como exemplo, lembrou que a corporação foi responsável pela proteção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha eleitoral de 2022, quando Jair Bolsonaro ocupava a Presidência da República.

Nos bastidores, a avaliação de parte dos delegados é que a declaração de Flávio Bolsonaro pode contribuir para ampliar questionamentos sobre uma instituição considerada de Estado, cuja atuação, segundo eles, não se submete a interesses políticos. Embora reconheçam o direito do pré-candidato de optar por outro modelo de segurança, integrantes da PF defendem que isso não deve ser interpretado como reflexo da qualidade do serviço prestado pela corporação.

O episódio acabou alimentando o debate sobre a segurança de candidatos durante o período eleitoral e sobre o papel institucional da Polícia Federal. Enquanto o senador mantém sua posição de rejeitar a escolta oferecida pela corporação, delegados reforçam que a missão da PF é garantir proteção com base em critérios técnicos, preservando a integridade dos candidatos independentemente do cenário político.

Publicar comentário