Decisão de Moraes retira tornozeleira de aliado de Flávio Bolsonaro, mas investigação continua
As decisões judiciais envolvendo figuras políticas costumam atrair grande atenção, principalmente quando envolvem investigações de ampla repercussão. Nesta semana, uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), alterou a situação do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, ao suspender as medidas cautelares que vinham sendo impostas contra ele.
Com a decisão, Canella deixa de utilizar a tornozeleira eletrônica que havia passado a usar no início de julho. Também foram revogadas outras restrições, entre elas o recolhimento domiciliar durante a noite e nos fins de semana, a obrigação de comparecer periodicamente à Justiça e a retenção de seus passaportes.
O ex-prefeito foi preso em flagrante no dia 7 de julho, durante uma etapa da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal. Na ocasião, agentes cumpriam mandados de busca e apreensão quando encontraram um fuzil em um veículo vinculado ao político. Poucos dias depois, Moraes autorizou sua liberdade provisória, desde que fossem cumpridas medidas cautelares enquanto o caso seguia sob investigação.
Ao analisar novamente o processo, o ministro concluiu que as provas reunidas até o momento não sustentam a acusação de porte ilegal da arma. A decisão levou em consideração documentos enviados pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, informando que o armamento pertence oficialmente à corporação e estava sob responsabilidade de um policial militar encarregado da segurança pessoal de Canella.
De acordo com a documentação apresentada, o fuzil estava devidamente registrado e havia sido disponibilizado de forma regular ao agente responsável pela escolta do ex-prefeito. Diante dessas informações, Moraes entendeu que não existem elementos suficientes para atribuir a Canella a posse ilegal da arma, motivo pelo qual determinou a retirada das medidas cautelares relacionadas a esse episódio.
Apesar da revogação das restrições, o político continua sendo investigado no âmbito da Operação Unha e Carne. A apuração da Polícia Federal busca esclarecer um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o setor de combustíveis no estado do Rio de Janeiro. Segundo informações baseadas em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), as movimentações financeiras atribuídas ao grupo investigado podem ter alcançado cerca de R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos anos.
As investigações apontam que postos de combustíveis teriam sido utilizados para movimentar recursos de origem suspeita. Além disso, a operação procura identificar a possível participação de agentes públicos e outras pessoas ligadas ao esquema investigado. Márcio Canella nega qualquer envolvimento em irregularidades e afirma que pretende demonstrar sua inocência durante o andamento do processo.
Presidente estadual do União Brasil no Rio de Janeiro, Canella também é pré-candidato ao Senado e mantém aliança política com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em sua chapa, a primeira suplente é Rogéria Bolsonaro, mãe do parlamentar. Antes disso, o ex-prefeito atuou como vice-prefeito de Belford Roxo na gestão de Waguinho, de quem se afastou politicamente antes das eleições presidenciais de 2022 para apoiar Jair Bolsonaro.
Além da investigação atual, Canella já foi alvo de outros procedimentos conduzidos pelo Ministério Público do Rio de Janeiro relacionados à administração municipal, incluindo apurações sobre nomeações de pessoas investigadas ou condenadas por supostas ligações com milícias. Esses casos, entretanto, tramitam separadamente da Operação Unha e Carne.
Com a nova decisão do STF, o ex-prefeito deixa de cumprir as medidas cautelares impostas em razão do flagrante envolvendo o armamento. No entanto, o inquérito da Polícia Federal permanece em andamento, e as autoridades continuam analisando provas e realizando diligências que poderão resultar em novos desdobramentos ao longo da investigação.



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