Julgamento no STF: restrição à imprensa gera atrito entre ministros e reforça esquema de segurança
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a proibição da entrada de profissionais de imprensa no plenário durante a sessão marcada para terça-feira, 15 de setembro. A reunião terá como pauta central a definição dos rumos da apuração envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e mensagens trocadas com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A justificativa formal apresentada pela Presidência da Corte fundamenta-se na capacidade física reduzida do recinto. Segundo nota divulgada pela administração do tribunal, os critérios adotados para o acesso ao espaço levaram em consideração recomendações e sugestões trazidas pelos próprios integrantes do colegiado.
Divergência de Flávio Dino sobre a presença de jornalistas
A determinação de barrar os jornalistas, no entanto, gerou discordância pública interna. A assessoria do ministro Flávio Dino declarou que ele não participou da tomada de decisão e ressaltou que, caso tivesse sido consultado formalmente, manifestaria posicionamento favorável à permanência dos repórteres no plenário.
Na manifestação, Dino sustentou que não há coerência em vetar a entrada de profissionais da imprensa enquanto centenas de outras pessoas, incluindo convidados institucionais, estarão presentes no recinto. Para o magistrado, a cobertura in loco da imprensa deveria ser garantida justamente em função da quantidade expressiva de público admitido.
Como será a cobertura da imprensa no edifício
Diante do bloqueio físico no plenário, a Corte reorganizou a logística para a cobertura dos veículos de comunicação. Os profissionais que realizam o acompanhamento diário das atividades do tribunal deverão permanecer nas dependências do comitê de imprensa, situado no segundo andar do prédio sede.
Já os demais profissionais credenciados especificamente para a data serão alocados na área externa da edificação, sob a marquise do STF. No local, será disponibilizada uma infraestrutura de apoio com mesas, cadeiras e telões para a transmissão ao vivo dos trabalhos.
Protocolos rigorosos e celulares lacrados
Paralelamente às restrições de público, o tribunal implementou medidas estritas de vigilância para as pessoas previamente autorizadas pelo Cerimonial. Foi determinado o uso obrigatório de sacolas de segurança com lacre para aparelhos celulares, que precisarão permanecer totalmente desligados durante toda a sessão, sob pena de expulsão imediata do plenário em caso de violação.
O controle nos acessos principais contará com vistorias completas, envolvendo pórticos detectores de metais e scanners de raio X. O pacote preventivo busca resguardar o sigilo e a ordem das deliberações em meio ao clima de tensão institucional.
O caso Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes
O objeto da sessão gira em torno de diálogos mantidos entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, banqueiro que se encontra detido em Brasília no âmbito de apurações sobre supostas fraudes financeiras de grande escala.
A revelação dos contatos levantou questionamentos públicos sobre a conduta do magistrado, levando os ministros a deliberarem coletivamente sobre a necessidade de instaurar procedimentos de investigação ou definir medidas adicionais sobre o episódio.
Cerco de segurança na Esplanada dos Ministérios
Para além dos muros da Corte, uma ampla operação de contenção foi montada em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, Forças Armadas, Comando Militar do Planalto, Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
As ações integradas incluem bloqueios no trânsito na Esplanada dos Ministérios, varreduras com drones e monitoramento preventivo de multidões. Apesar das restrições de acesso ao plenário, as deliberações serão transmitidas publicamente por meio dos canais digitais oficiais do STF.



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