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Alexandre de Moraes se declara impedido em julgamento de habeas corpus de Jair Bolsonaro no STF

Alexandre de Moraes se declara impedido em julgamento de habeas corpus de Jair Bolsonaro no STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se impedido de votar no julgamento de um recurso em habeas corpus que solicita a soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão retirou o magistrado da composição da Primeira Turma para a análise deste pedido específico, atraindo forte atenção jurídica e política nos bastidores de Brasília.

A justificativa processual central está no fato de Moraes figurar na petição inicial como a “autoridade coatora”, termo jurídico que designa o responsável pelo ato ou medida apontada pelo autor da ação como supostamente ilegal. Essa postura não é inédita: em janeiro, o magistrado já havia tomado medida análoga ao se afastar de outro pedido de habeas corpus protocolado em benefício do ex-presidente.

Ação apresentada por advogado sem procuração

A iniciativa do recurso partiu do advogado Claudio Leme Cavalheiro, profissional que não integra a equipe jurídica oficial do ex-presidente. A ministra Cármen Lúcia, relatora do processo na Primeira Turma, enfatizou em seu voto que, embora o ordenamento jurídico permita a qualquer cidadão impetrar habeas corpus em favor de terceiros, a medida perde legitimidade quando vai de encontro à estratégia ou à vontade expressa do réu, que já conta com advogados legalmente constituídos.

Além da ausência de representação formal, a relatora destacou a falta de provas materiais que pudessem sustentar a alegação de constrangimento ilegal. Como segundo obstáculo processual, Cármen Lúcia apontou a inadequação do uso de habeas corpus contra decisões colegiadas ou de outros ministros da própria Suprema Corte, determinando a rejeição do pedido.

Placar e andamento na Primeira Turma

O posicionamento de Cármen Lúcia foi acompanhado na íntegra pelo ministro Cristiano Zanin, estabelecendo um placar provisório de 2 a 0 contrário à concessão da ordem de soltura. Com a saída voluntária de Alexandre de Moraes do julgamento, o colegiado conta com um membro a menos na votação do mérito.

A decisão final aguarda agora apenas a manifestação eletrônica do ministro Flávio Dino. O julgamento ocorre no plenário virtual do STF e tem encerramento programado para o dia 14 de setembro, período no qual os ministros têm até o último minuto para registrar ou retificar seus votos.

O significado jurídico da decisão de Moraes

No meio jurídico, especialistas ressaltam que a declaração de impedimento é um instrumento estritamente técnico e preventivo, previsto na legislação para preservar a imparcialidade do processo e afastar conflitos de interesse. Portanto, o recuo do ministro não indica concordância nem discordância quanto aos méritos do habeas corpus, limitando-se a respeitar as normas processuais vigentes.

O caso ganha repercussão devido ao histórico de decisões duras tomadas por Moraes em investigações anteriores que envolvem o ex-presidente. Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por motivos de saúde, após condenação a 27 anos e três meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado, mantendo sob holofotes qualquer movimentação que envolva sua execução penal.

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