Empresário ligado à Unigel nomeia Lulinha para conselho após contrato com a Petrobras
Uma nova frente de apurações envolvendo a relação entre grandes empresários e o entorno familiar do Palácio do Planalto veio à tona com revelações sobre o empresário Léo Slezynger, do grupo petroquímico Unigel. O industrial convidou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente da República, para ocupar uma vaga de conselheiro em uma organização não governamental ambiental idealizada por ele.
A indicação, noticiada a partir de apurações da coluna de Andreza Matais no Metrópoles, ocorreu por intermédio da lobista Roberta Luchsinger, que operava publicamente e em conversas privadas como sócia de Lulinha. A movimentação teve como pano de fundo a tentativa direta de captar parcelas substanciais de recursos internacionais destinados ao Fundo Amazônia.
A promessa de aportes internacionais e a criação da ONG
Em abril de 2023, o anúncio de que o governo dos Estados Unidos pretendia destinar US$ 500 milhões para preservação florestal por meio do Fundo Amazônia acendeu o alerta do setor de articulação política e empresarial. Ao tomar conhecimento do aporte norte-americano, Luchsinger acionou Slezynger sugerindo celeridade na estruturação de um fundo ambiental privado apto a receber repasses desse montante.
As mensagens trocadas entre os interlocutores deixam evidente o interesse na aproximação com o governo federal. A lobista orientou textualmente o empresário a incluir o filho do presidente na estrutura administrativa da entidade, definindo a manobra como uma via de influência direta e caracterizando o arranjo como um explícito mecanismo de “toma lá, dá cá”.
Proposta de remuneração e estrutura do conselho
De acordo com os registros de conversas, Luchsinger recomendou expressamente que fosse pago um salário de conselheiro a Lulinha para garantir sua atuação e atrair os olhos do governo federal para o projeto. Diante da sugestão, Slezynger passou a compartilhar capturas de tela demonstrando contatos diretos com Fábio Luís, articulando reuniões preliminares sobre o fórum de sustentabilidade e a composição diretiva.
O organograma elaborado para a entidade, batizada de Brazil Climate Change (BRACC), previa uma divisão estratégica de cadeiras. No plano desenhado pelo controlador da Unigel, Lulinha e Luchsinger comporiam o conselho estratégico ao lado de figuras como Marina Silva, enquanto outras autoridades, como Sônia Guajajara, figuravam no conselho técnico. Em resposta à composição, Lulinha ponderou sobre eventuais restrições legais à presença de ministros de Estado em estruturas privadas.
Contrato com a Petrobras e atuação sob escrutínio
A aproximação entre o industrial e o filho do presidente ocorreu em paralelo a desdobramentos comerciais relevantes da Unigel junto ao Estado brasileiro. A companhia chegou a firmar um acordo de prestação de serviços e beneficiamento de gás natural com a Petrobras. Slezynger chegou a enviar mensagem a Lulinha agradecendo sua interlocução junto à Presidência da República em prol da companhia petroquímica.
No entanto, o negócio firmado com a estatal de petróleo entrou na mira de órgãos de controle e foi posteriormente anulado por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). A Corte de Contas concluiu que os termos pactuados eram desvantajosos e lesivos ao patrimônio da Petrobras, gerando desdobramentos sobre a legitimidade da intermediação política do acordo.
Inquérito no STF investiga tráfico de influência
A ONG estruturada por Slezynger chegou a colocar no ar uma página institucional e traçou planos para eventos de grande visibilidade temática no litoral fluminense, os quais acabaram adiados. Paralelamente, diálogos prévios que indicavam as tratativas do grupo já haviam sido revelados pela colunista Malu Gaspar, de O Globo, expondo a gênese da articulação.
Atualmente, todas as suspeitas de tráfico de influência e vantagens indevidas decorrentes da relação entre os empresários, lobistas e agentes próximos ao Executivo estão formalmente sob investigação. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), em inquérito de relatoria do ministro Flávio Dino, encarregado de apurar as responsabilidades legais sobre o caso.



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