Flávio Bolsonaro aciona TSE contra suposta “campanha do medo” e fake news pró-Lula
A corrida pelo Palácio do Planalto ganhou um novo capítulo jurídico com a entrada de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A petição acusa a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de coordenar uma rede articulada de desinformação digital nas redes sociais.
Encaminhada à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral, a representação de 196 páginas sustenta que aliados do petista vêm promovendo o que classificam como uma “campanha do medo”. O objetivo seria disseminar conteúdos com alegações alarmistas e enganosas a respeito das eventuais propostas e da imagem pública de Flávio Bolsonaro.
As alegações de desinformação nas redes sociais
De acordo com o material reunido pela equipe jurídica de Flávio Bolsonaro, diversas postagens alegam que o candidato do PL pretendia privatizar o SUS, cortar o Farmácia Popular, congelar aposentadorias e extinguir o 13º salário e o Bolsa Família. As narrativas citadas na ação também incluem afirmações extremas, como a instauração de uma jornada de trabalho “7×0” de 16 horas diárias, a aplicação de um golpe de Estado e uma interferência consolidada dos Estados Unidos no pleito.
Na petição, os advogados sustentam que o material não representa críticas políticas pontuais ou exageros típicos de campanhas eleitorais acirradas. A defesa argumenta formalmente que os fatos retratam o funcionamento de uma “engrenagem” contínua e industrial voltada à manipulação do eleitorado nas redes.
O uso do recurso de colaboração no Instagram
O ponto central da denúncia reside no uso sistemático da ferramenta collab (colaboração) do Instagram, funcionalidade que viabiliza a coautoria de até seis perfis em uma mesma publicação. Segundo a peça, essa ferramenta multiplica o alcance ao juntar públicos e receber maior prioridade algorítmica, operando como um multiplicador industrial de desinformação.
O levantamento apresentado pelos advogados monitorou 2.856 publicações entre a 0h do dia 5 de outubro e a tarde de 7 de outubro. Desse grupo, foram mapeados 146 perfis — incluindo 46 páginas de grande projeção e 100 contas recorrentes em colaborações mútuas —, totalizando um núcleo que teria publicado 218 peças fraudulentas ou descontextualizadas sem comprovação, acumulando milhões de impressões em poucas horas.
Pedidos de liminar, multas e cassação
Entre as medidas cautelares solicitadas pela chapa de Flávio Bolsonaro está a suspensão liminar imediata de 32 perfis apontados como articuladores da distribuição. O documento também exige a remoção de 221 publicações em um prazo máximo de 24 horas, além do bloqueio de publicações conjuntas entre 48 perfis considerados fundamentais na estratégia.
A ação requer ainda a quebra de sigilo das contas administradas de forma anônima e a fixação de penalidades severas pelo descumprimento das ordens: R$ 100 mil por hora para as plataformas e R$ 50 mil por publicação para os usuários que continuarem veiculando as peças. Como desfecho da AIJE, a defesa pede a cassação da chapa encabeçada por Lula e Geraldo Alckmin.
Posicionamento da campanha adversária
Em nota e manifestações à imprensa, a campanha de reeleição de Lula informou que não recebeu citação formal ou intimação a respeito do processo. A coordenação petista declarou não ter tomado ciência oficial do teor da petição e ressaltou que, sem a devida notificação jurídica pelo TSE, não se pronunciaria sobre o mérito das acusações.



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