Governo estuda limitar cartões de crédito a um por cliente para conter endividamento
O governo federal abriu discussões com o Banco Central para implementar uma trava regulatória no sistema financeiro nacional: impedir que instituições bancárias emitam mais de um cartão de crédito para a mesma pessoa. A proposta, defendida diretamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca conter o avanço do endividamento das famílias brasileiras e frear práticas comerciais abusivas do setor bancário.
A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Flow, momento em que o chefe do Executivo criticou o envio indiscriminado de cartões não solicitados e o impacto das taxas rotativas no orçamento doméstico. Segundo Lula, a proliferação descontrolada desses meios de pagamento tem levado muitos cidadãos a perderem a gestão sobre suas despesas cotidianas.
O peso dos juros e o envio de cartões sem solicitação
Um dos principais argumentos apresentados para justificar a restrição é o patamar elevado das taxas cobradas no rotativo do cartão, que atualmente alcançam 449,4% ao ano. Com juros dessa magnitude, qualquer atraso na fatura transforma rapidamente pequenos valores em passivos praticamente impagáveis.
Além do custo financeiro, a concessão de crédito sem a devida requisição dos correntistas esteve no centro das críticas presidenciais. Durante a conversa, o presidente exemplificou a gravidade da situação citando o relato de um consumidor que recebeu quatro cartões sem pedir e acabou acumulando uma dívida de R$ 80 mil.
Panorama alarmante da inadimplência no Brasil
O debate em torno de regras mais duras para o crédito ocorre diante de um cenário de crescente vulnerabilidade financeira entre os brasileiros. Dados divulgados pelo Tesouro Nacional indicam que 83,9 milhões de pessoas estão com o nome negativado no país.
Para agravar o quadro, levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revelou que o índice de famílias endividadas atingiu a marca recorde de 82% em julho de 2026. Esses indicadores reforçam a pressão sobre o poder público para intervir na oferta de crédito fácil e desregulada.
Alinhamento com o Banco Central e Desenrola 3.0
Para viabilizar a mudança, a equipe econômica do governo mantém diálogo direto com a presidência do Banco Central, chefiada por Gabriel Galípolo. A intenção declarada é “moralizar a questão do crédito” e estabelecer barreiras regulatórias que protejam o consumidor de um endividamento desmedido.
Paralelamente à restrição na emissão de cartões, o governo aposta em ações de renegociação como o programa Desenrola 3.0, anunciado em setembro. O mecanismo permite à União adquirir carteiras de dívidas inadimplidas por meio de leilões, repassando os deságios e descontos conquistados diretamente ao devedor final para facilitar a recuperação financeira da população.



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