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Mensagens da PF revelam proximidade e troca de favores entre Hugo Motta e Daniel Vorcaro

Mensagens da PF revelam proximidade e troca de favores entre Hugo Motta e Daniel Vorcaro

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) a partir do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, revelam uma rotina de proximidade, trocas de elogios e pedidos de favores com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Os diálogos foram divulgados inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e expõem conversas mantidas entre as duas figuras públicas ao longo do último ano.

O material analisado pelos investigadores detalha interações que vão desde convites para viagens e eventos sociais até a cessão de serviços particulares. Entre os registros, constam solicitações diretas de ingressos para áreas exclusivas de lazer e tratativas sobre logística pessoal.

Conversas pessoais, viagens e apoio logístico

Em uma das sequências de mensagens, datada de 23 de maio do ano anterior, Vorcaro e Motta debatiam suas agendas. Enquanto o parlamentar afirmava que passaria por São Paulo e Belo Horizonte, o ex-banqueiro respondeu em tom descontraído que gostaria de estar em Mônaco com o deputado.

Logo após a mensagem, os dois realizaram uma ligação telefônica com duração de cerca de oito minutos. Na sequência do telefonema, Vorcaro enviou a Motta o contato de um motorista particular e perguntou se o deputado preferia a presença de uma pessoa para servir na residência ou se preferia privacidade total, ao que Motta respondeu agradecendo o suporte.

Pedidos de camarote e consultas sobre bastidores

Os registros em posse da PF também mostram pedidos de caráter pessoal feitos pelo parlamentar para eventos de grande visibilidade. No início de março, Hugo Motta solicitou ao empresário quatro entradas para um camarote no desfile das campeãs do carnaval do Rio de Janeiro. Vorcaro atendeu prontamente ao pedido, solicitando os dados completos dos beneficiários para liberação dos acessos.

Além do lazer, os diálogos abordavam os bastidores do mercado financeiro e da política. No mesmo mês, o presidente da Câmara encaminhou a Vorcaro uma imagem contendo uma suposta abordagem de um repórter, que questionava sobre as tratativas de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), buscando verificar se o empresário reconhecia o remetente.

Encontros políticos e menção à cúpula do Congresso

Em agosto, as conversas indicaram a articulação de reuniões políticas com outros membros do alto escalão de Brasília. Motta chamou Vorcaro para ir até a “casa de Davi”, apontada como uma provável alusão ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Diante do convite, o ex-banqueiro questionou se sua ida estava combinada ou se chegaria de surpresa. Em resposta, Motta confirmou que o anfitrião já estava ciente de sua participação, reforçando indícios de trânsito do empresário entre lideranças do Congresso Nacional.

Posicionamento da defesa e investigações do Banco Master

Procurada para prestar esclarecimentos, a assessoria de Hugo Motta declarou que o parlamentar, ao longo de quatro mandatos na Câmara dos Deputados, sempre manteve interlocução com diversos segmentos do empresariado e da sociedade. O deputado afirmou repudiar qualquer tentativa de descontextualizar os diálogos e frisou que não há qualquer ato ilícito nas mensagens.

Motta também comentou sobre um empréstimo de cerca de R$ 22 milhões firmado entre o Banco Master e uma empresa pertencente à sua cunhada. Segundo o deputado, o contrato tratou-se de uma operação legítima entre entidades privadas, celebrada antes de qualquer apuração vir a público contra o Master ou Vorcaro, ressaltando sua confiança nas investigações conduzidas pelas autoridades. A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou sobre as mensagens divulgadas.

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