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Janja usa polêmica sobre padroeira do Brasil para criticar opositores em comício no Pará

Janja usa polêmica sobre padroeira do Brasil para criticar opositores em comício no Pará

A seis dias do primeiro turno das eleições, a corrida presidencial ganhou novos contornos religiosos durante um ato de campanha realizado em Belém (PA). A primeira-dama Janja discursou nesta segunda-feira (28) ao lado do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, utilizando a recente controvérsia em torno do título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país para rebater adversários políticos.

Durante o evento, que marcou a primeira agenda de Lula na região Norte nesta reta final de campanha, a primeira-dama criticou diretamente o grupo de oposição ao governo. Janja afirmou que setores adversários desejam retirar a condição oficial de padroeira conferida à santa católica e pediu proteção contra o que classificou de hipocrisia religiosa.

O discurso e os ataques à oposição em Belém

Em sua fala perante os eleitores paraenses, a primeira-dama fez um contraponto direto entre as pautas da atual gestão e as propostas atribuídas aos seus opositores. Ela destacou que, enquanto o governo atua em questões econômicas e sociais, como a regulamentação do setor de apostas, a oposição estaria focada em rever tradições de fé históricas do país.

“Enquanto a gente quer o fim das bets, o outro lado quer o fim da Padroeira do Brasil. Se dizem enviados de Deus, mas vivem às custas da fé das pessoas. Fé é coisa séria e deve ser respeitada, qualquer que seja a sua religião”, declarou Janja, enfatizando a necessidade de respeito mútuo entre diferentes denominações religiosas.

A primeira-dama encerrou sua manifestação com um apelo religioso voltado à proteção do presidente da República. Em tom incisivo, Janja pediu que o manto de Nossa Senhora Aparecida proteja o país de “falsos adoradores de Deus e falsos profetas da fé”, além de rogar para que a santa ilumine a trajetória de Lula contra o que chamou de ataques e mentiras.

A origem do debate sobre Nossa Senhora Aparecida

A controvérsia ganhou tração recente nas redes sociais após a veiculação de boatos que vinculam a campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, a uma suposta iniciativa para revogar a lei que define Nossa Senhora Aparecida como padroeira oficial do Brasil. As postagens alegavam que alas evangélicas estariam articulando um projeto de lei nesse sentido.

O cenário foi alimentado pelo resgate de declarações dadas pelo próprio senador há cerca de um mês. Na gravação compartilhada por adversários, o parlamentar — que é evangélico — declarou que, caso vença a eleição presidencial, terá como um dos primeiros atos oficiais a emissão de um decreto afirmando que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

A reação de Flávio Bolsonaro e as acusações de desinformação

Diante da repercussão negativa entre o eleitorado católico, o senador Flávio Bolsonaro negou veementemente qualquer intenção de alterar o status de Nossa Senhora Aparecida. O parlamentar classificou as alegações como notícias falsas e acusou a campanha petista de fabricar a pauta para fins eleitorais.

Para conter o desgaste político, a equipe do candidato do PL tem reforçado ações públicas de respeito aos fiéis católicos. Entre as movimentações recentes, aliados destacaram iniciativas anteriores de parlamentares do partido em prol de homenagens à padroeira, além de o próprio candidato ter aparecido publicamente com imagens da santa para afastar as acusações.

Lula defende manutenção da padroeira e convivência entre religiões

O tema também foi abordado diretamente pelo presidente Lula em entrevista à Band antes de sua viagem ao Pará. O chefe do Executivo ressaltou que a devoção popular a Nossa Senhora Aparecida deve ser preservada pelo poder público e rechaçou qualquer tentativa de hostilidade contra símbolos religiosos.

“Esse negócio de mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável. […] Ela vai ser padroeira do Brasil porque o povo brasileiro quer e tem fé”, declarou o presidente. Lula reforçou que o Estado deve garantir a plena liberdade de culto e cobrou que as diferentes lideranças religiosas mantenham o respeito recíproco em meio à disputa eleitoral.

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