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Gilmar Mendes sai em defesa de Gonet e ataca André Mendonça após arquivamento de investigação

Gilmar Mendes sai em defesa de Paulo Gonet após arquivamento de investigação e critica André Mendonça no caso Banco Master.

Gilmar Mendes sai em defesa de Gonet e ataca André Mendonça após arquivamento de investigação

O ministro Gilmar Mendes saiu em defesa pública do procurador-geral da República, Paulo Gonet, neste sábado, 26. Ele reagiu ao arquivamento do pedido de investigação contra Gonet pelo Conselho Superior do Ministério Público. Na publicação, o ministro do STF chamou o colega de “homem honrado” e classificou o episódio como um caso de dano reputacional sem fundamento.

De acordo com Gilmar, a decisão do colegiado “confirma o que já se sabia”. Para ele, nada impedia Gonet de continuar atuando nos processos do Banco Master. Ainda segundo o ministro, o episódio não deveria manchar uma reputação construída ao longo de décadas de serviço público.

Crítica indireta a André Mendonça

Gilmar direcionou farpas ao ministro André Mendonça, responsável pelas investigações do caso Master no Supremo. Segundo ele, alguém levantou o sigilo da investigação, expôs Gonet a ataques nas redes sociais e só depois reconheceu que as conversas não continham irregularidade grave. Por isso, o ministro definiu o episódio como um “retrato sem filtro de vazamentos seletivos”.

Na avaliação de Gilmar, o inquérito ganhou força justamente durante o ciclo eleitoral, o que reforça a suspeita de motivação política. Ele também descreveu como “tíbio e conveniente” qualquer reparo tardio, já que o dano à imagem de Gonet já estava consumado antes de qualquer esclarecimento. Diante disso, o ministro reforçou que o estrago feito não se desfaz com explicações posteriores.

Gonet e Gilmar mantêm amizade de longa data e já trocaram apoio público em outras ocasiões. No dia 16, quando o plenário do STF discutiu indícios de relacionamento suspeito entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, Gilmar já havia defendido Gonet de acusações de falta de isenção. O colunista Andreazza resumiu a relação de forma direta: “Paulo Gonet é Gilmar Mendes, ao defender o PGR, o ministro se defende.”

Veja a postagem na íntegra

A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, ontem, confirma o que já se sabia. Nada havia que impedisse o Procurador-Geral de seguir atuando nos processos do Banco Master, muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público.…— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 26, 2026

Solidariedade também ao diretor da PF

Além da defesa de Gonet, Gilmar manifestou solidariedade ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. André Mendonça havia determinado o afastamento do delegado do cargo por supostas irregularidades na elaboração de relatórios de inteligência. Na sequência, a Segunda Turma do STF manteve a decisão, mas o ministro Flávio Dino determinou a reintegração do delegado.

Por fim, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões e manteve Andrei Rodrigues no comando da corporação. Esse vaivém de decisões evidencia a disputa interna sobre os desdobramentos do caso Master dentro do Supremo. Na prática, o episódio expôs divergências entre ministros sobre os limites de atuação de cada órgão envolvido.

O arquivamento do pedido contra Gonet

Por cinco votos a quatro, o Conselho Superior do Ministério Público arquivou o pedido de investigação contra Paulo Gonet nesta sexta-feira, 25. A maioria dos conselheiros não encontrou indícios de irregularidade na atuação do procurador-geral no caso Master. O voto decisivo coube a Nicolao Dino, presidente do colegiado e irmão do ministro Flávio Dino.

O pedido de investigação teve como base um relatório da Polícia Federal que revelou proximidade entre Gonet e o banqueiro Daniel Vorcaro. Os dois viajaram juntos a Londres para participar de uma degustação de uísque e charutos. O Estadão revelou o documento com exclusividade e, depois, André Mendonça tornou o relatório público.

Ainda segundo a apuração da PF, Gonet conversava com Vorcaro por intermédio do advogado Ciro Soares. Em uma das mensagens, o procurador-geral disse sentir saudades do banqueiro e o chamou de “máquina” em tom elogioso. Diante da repercussão, Gonet pediu a nulidade do relatório e acusou André Mendonça de conduzir a apuração com parcialidade.

O Conselho Superior avaliou se as informações levantadas pela PF geravam impedimento para a atuação de Gonet nas ações em que Vorcaro figura como réu. Apesar disso, a maioria dos conselheiros concluiu que não havia elementos suficientes para caracterizar ilegalidade. Com isso, o caso chega a um desfecho favorável ao procurador-geral, ao menos por enquanto.

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