Polícia Federal aciona Ancine para investigar financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro
Apuração que tramita no STF busca rastrear a origem de um acordo de US$ 24 milhões e apura o possível uso de verba pública na produção do longa “Dark Horse”.
A Polícia Federal (PF) solicitou oficialmente à Agência Nacional do Cinema (Ancine) informações detalhadas sobre a produção de “Dark Horse”, filme que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido integra um inquérito em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), conduzido pelo ministro André Mendonça.
A Ancine tem um prazo de dez dias para entregar aos investigadores os registros da obra, os dados dos responsáveis pela produção e o andamento de processos administrativos envolvendo o longa. O principal objetivo da PF é esclarecer se o projeto foi beneficiado por incentivos fiscais, recursos públicos federais ou outras políticas de fomento ao setor audiovisual.
Rastreio de US$ 24 milhões e o Fundo nos EUA
O filme entrou no radar das autoridades após o vazamento de conversas e documentos apontando para um acordo de financiamento de quase US$ 24 milhões. Os investigadores estão mapeando o trajeto desse dinheiro, com foco na suspeita de que parte do montante teria sido enviada a um fundo de investimentos sediado nos Estados Unidos.
Entre as linhas de investigação, a PF apura se esses recursos internacionais teriam sido utilizados para bancar despesas do deputado federal Eduardo Bolsonaro durante o período em que ele esteve nos EUA.
Os membros da família Bolsonaro têm se defendido das acusações. Após negativas iniciais sobre a origem do dinheiro, o senador Flávio Bolsonaro admitiu o uso de valores vinculados ao Banco Master, afirmando que foram gastos integralmente no filme. Eduardo Bolsonaro negou ter recebido qualquer verba do fundo investigado, enquanto Jair Bolsonaro declarou recentemente que o episódio é uma “página virada” e que as contas do projeto já foram prestadas.
Irregularidades Administrativas e Emendas
Paralelamente à investigação do STF, o longa é alvo de um procedimento administrativo na Ancine. A agência investiga a produtora Go Up Entertainment por supostamente realizar filmagens estrangeiras no Brasil sem a devida comunicação prévia exigida por lei. Caso a irregularidade seja comprovada, a multa pode chegar a R$ 100 mil.
A produtora pertence a Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil. A instituição também passou a ser monitorada por autoridades devido ao recebimento de emendas parlamentares destinadas ao setor audiovisual. O deputado federal Mário Frias, roteirista e produtor do filme, negou que recursos de emendas tenham financiado o projeto.
A Ancine confirmou o recebimento do ofício da PF e afirmou que enviará os dados solicitados no prazo, além de garantir a divulgação dos resultados de sua própria apuração interna ao final do processo. As defesas de Flávio Bolsonaro e da Go Up Entertainment ainda não se manifestaram sobre as novas requisições da Polícia Federal.



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