Mensagens da PF revelam compra de uísque de R$ 500 mil por Daniel Vorcaro para Lula
O empresário e ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria encomendado em 2024 uma garrafa de uísque avaliada em cerca de R$ 500 mil com o objetivo de presentear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados constam em mensagens obtidas pela Polícia Federal a partir do aparelho celular do banqueiro, apreendido durante investigações de fraudes no sistema financeiro.
A aquisição do item raro coincidiu com um momento estratégico em que o banqueiro intensificava esforços para aproximar suas operações do governo federal e destravar negócios de interesse de sua instituição financeira. A revelação das conversas detalha a movimentação de bastidores que antecedeu encontros institucionais de alto nível.
Rastreamento e importação da garrafa escocesa
Conforme os registros da investigação, a ordem para localizar a bebida ocorreu no dia 29 de outubro de 2024. Vorcaro solicitou a um assistente pessoal a busca específica de um exemplar escocês da marca Macallan, safra de 1945, coincidindo com o ano de nascimento do mandatário da República.
Ao justificar a compra internamente, o executivo afirmou por escrito: “Preciso dar pro Lula”. Pouco depois, ao ser notificado sobre um lote localizado por cerca de 80 mil euros — montante correspondente a cerca de R$ 500 mil na cotação da época —, ele autorizou a transação e determinou o envio da encomenda diretamente de Dubai com destino ao território brasileiro.
Intermediação jurídica e o encontro no Planalto
A interlocução entre o empresário e o Executivo contava com o auxílio do advogado Walfrido Warde, apontado nos autos como um dos operadores dos interesses do banqueiro junto à cúpula do governo federal e a integrantes de ministérios. Em mensagens trocadas em janeiro de 2025, Warde transmitiu a Vorcaro uma resposta atribuída ao chefe do Executivo, afirmando que Lula teria agradecido pela bebida e enviado saudações.
O relacionamento culminou em uma audiência presencial realizada em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, fora da agenda pública oficial do presidente. O encontro teve a colaboração do então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana, o Marcola, além do direcionamento prévio de Warde, que orientou o executivo a expor abertamente suas pretensões e detalhar disputas comerciais de seu setor.
Operação Compliance Zero e desdobramentos
Paralelamente às tentativas de articulação, Vorcaro firmou contratações de consultoria que incluíram o ex-ministro Guido Mantega. O objetivo central das investidas era expandir as atividades do Master e prospectar investimentos provenientes de fundos de pensão ligados a empresas estatais.
Atualmente, o empresário figura no centro dos inquéritos da Operação Compliance Zero, que apura supostas operações fraudulentas bilionárias e a emissão irregular de títulos de crédito envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Embora relatos de transferências tenham sido apresentados em tratativas preliminares de colaboração premiada, o acordo foi rejeitado pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), mantendo as acusações sob o status de apurações em andamento. Lula, por sua vez, já declarou publicamente que garantiu tratamento estritamente técnico às demandas regulatórias do banco.



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