Lula muda discurso sobre Alexandre de Moraes e pressiona STF na reta final da eleição
Da exaltação pública à exigência de esclarecimentos: entenda como a relação entre o presidente e o ministro do STF mudou durante a campanha de 2026.
A postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou por uma guinada evidente no cenário político recente. Conhecido por reiterados elogios à atuação do magistrado nos últimos anos, o chefe do Executivo adotou um tom crítico às vésperas da eleição, cobrando abertamente explicações do ministro diante da repercussão de denúncias que envolvem o meio jurídico e empresarial.
A mudança de discurso contrasta de forma direta com declarações anteriores de Lula. Em novembro de 2022, durante os trabalhos da transição governamental em Brasília, o presidente chegou a classificar Moraes — que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — como um exemplo de “coragem estupenda” e “orgulho de todo o Brasil”. O reconhecimento público consolidou uma percepção de alinhamento institucional entre o petista e o ministro em momentos de forte tensão política.
O histórico de apoio e defesa da Suprema Corte
A deferência a Moraes manteve-se firme até o final de 2025. Em dezembro daquele ano, ao comentar a suspensão de sanções impostas pelos Estados Unidos ao magistrado, Lula afirmou ter destacado a Donald Trump que o recuo da medida era positivo para a estabilidade democrática do país. Naquela época, o noticiário já começava a veicular informações sobre os contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Ainda em meados de setembro de 2026, a menos de um mês do primeiro turno, Lula sustentava a defesa de Moraes em entrevistas públicas. Ao participar do podcast Desce a Letra, o mandatário ressaltou que o integrante da Suprema Corte havia prestado serviços relevantes à democracia. Na ocasião, minimizou os questionamentos levantados por opositores, como o senador Flávio Bolsonaro, atribuindo o descontentamento da oposição às decisões judiciais decorrentes das investigações sobre o 8 de janeiro e o caso Marielle Franco.
A reviravolta às vésperas do primeiro turno
O ponto de inflexão na narrativa presidencial ocorreu em 1º de outubro de 2026, a três dias da votação em primeiro turno. Em entrevista concedida ao podcast Flow, Lula revelou ter exigido posicionamentos públicos do ministro sobre os vínculos contratuais entre a instituição bancária e a banca de advocacia de sua família, pontuando que o magistrado “deve uma explicação à sociedade brasileira”.
No mesmo pronunciamento, o presidente ampliou as críticas para além do caso individual, apontando que o Supremo Tribunal Federal enfrenta um desgaste acentuado de credibilidade perante a população. Lula defendeu que integrantes de cortes constitucionais não podem visar o enriquecimento privado enquanto ocupam tais funções e advertiu que a falta de rigor com os deveres do cargo cobra um preço institucional severo.
Desgaste político e cobranças no pós-eleição
O endurecimento das declarações continuou na semana seguinte à votação de primeiro turno. Em encontro fechado com a coordenação de sua equipe de campanha, Lula lamentou os impactos eleitorais do caso, afirmando que o projeto de reeleição estaria sofrendo o peso da desconfiança popular voltada à Suprema Corte em razão das denúncias de promiscuidade no Judiciário.
Diante do novo panorama político, o mandatário reforçou sua adesão a propostas de reformas estruturais para o tribunal, que incluem o estabelecimento de mandatos por tempo determinado para os ministros do STF e novos critérios de indicação com maior participação da sociedade civil. O debate ganha força enquanto o país se prepara para a votação do segundo turno em 25 de outubro.



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