Tragédia em Santa Catarina: amigo de piloto revela que helicóptero de Rick Sollo apresentava panes na chuva
O desdobramento das apurações sobre a queda do helicóptero que vitimou o cantor sertanejo Rick Sollo, em Santa Catarina, ganhou um elemento central. Segundo declarações de pessoas próximas à tripulação, a aeronave envolvida no acidente já vinha apresentando histórico de instabilidades operacionais antes do voo fatal.
Durante as cerimônias de despedida do comandante Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, realizadas em São Paulo, um amigo pessoal do profissional revelou detalhes sobre as preocupações que cercavam as condições técnicas do aparelho. A declaração coloca sob escrutínio o histórico de manutenção da aeronave utilizada no trajeto.
Relatos de instabilidade técnica e preocupação da tripulação
Em entrevista concedida ao programa Cidade Alerta, da Record, a fonte, que optou por não ter a identidade divulgada, afirmou categoricamente que Antônio Roberto já havia manifestado receio em relação ao comportamento do helicóptero, especialmente durante variações meteorológicas severas.
De acordo com o depoimento, o Bell 430, fabricado em 2001, sofria com intercorrências elétricas ou mecânicas quando enfrentava precipitações. “Ele, inclusive, ainda falava sobre isso. Que o helicóptero tinha uma pane, principalmente em tempo de chuva”, declarou o amigo, pontuando que o piloto cogitava pedir a substituição do modelo.
O colega de profissão também mencionou que a preocupação não era um fato isolado, sendo de conhecimento de outros profissionais do setor aéreo que conviviam com o comandante. Sob a ótica do amigo, o helicóptero era antigo e carecia de rotinas de manutenção adequadas para os parâmetros operacionais atuais.
Regularidade documental junto à Anac
Apesar das queixas trazidas a público durante o velório, as informações preliminares dos órgãos de controle aéreo mostram conformidade no papel. De acordo com registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o helicóptero operava com a sua situação documental em dia.
Os registros oficiais indicam que o Certificado de Aeronavegabilidade (CA) do aparelho possuía vigência ativa até o dia 11 de agosto de 2027. O contraste entre os relatos informais de defeitos prévios e o status regular perante as autoridades será um dos pontos examinados pelos peritos.
A dinâmica do acidente aéreo em Urubici
O voo partiu de Porto Belo com destino a São Joaquim, trecho que abrange áreas serranas de relevo complexo e frequente instabilidade climática no estado catarinense. O contato com a aeronave foi perdido ainda na segunda-feira (21), mobilizando equipes de resgate na região.
Após buscas intensas em meio à vegetação densa, os destroços da aeronave foram localizados na terça-feira (22), em uma área de mata fechada no município de Urubici. O impacto provocou a destruição da estrutura e não deixou sobreviventes entre os ocupantes.
Vítimas e o andamento das investigações oficiais
O acidente vitimou cinco pessoas que estavam a bordo: o sertanejo Rick Sollo, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, além dos tripulantes Leopoldo Barros Teixeira (copiloto) e Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, experiente piloto de 73 anos de idade.
A apuração sobre os fatores contribuintes para a queda segue em curso conjunto sob a responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e da Polícia Civil. Os laudos técnicos de ambos os órgãos deverão esclarecer se o desfecho trágico decorreu de falhas mecânicas repentinas, condições climáticas adversas ou outros elementos operacionais.



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