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Mensagens revelam articulação de advogado de Daniel Vorcaro para aproximar dono do Banco Master do governo Lula

Mensagens revelam articulação de advogado de Daniel Vorcaro para aproximar dono do Banco Master do governo Lula

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do aparelho celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelam uma série de investidas do seu então advogado, Walfrido Warde, para construir pontes diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do primeiro escalão. O objetivo central das articulações era abrir canais formais e informais com o Palácio do Planalto e amenizar resistências políticas que vinham crescendo contra a instituição financeira.

Na época das conversas, o Banco Master já se encontrava sob forte escrutínio regulatório e enfrentava sérias dificuldades de liquidez no mercado financeiro. Warde, conhecido pela atuação em litígios empresariais complexos e por sua ampla rede de contatos em Brasília, foi contratado justamente para encontrar uma saída jurídica e institucional para o banco.

A intermediação com a chefia de gabinete do Planalto

Os registros obtidos pelas investigações indicam que as tratativas ganharam força em abril de 2024, quando Warde buscou o então chefe de gabinete da Presidência da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Em áudios enviados a Vorcaro, o advogado solicitava que o banqueiro redigisse um resumo formal dos temas de interesse do Master para que uma audiência com o mandatário fosse solicitada oficialmente.

Em maio do mesmo ano, após nova ida à sede do Executivo, Warde chegou a relatar em tom enfático que havia saído do gabinete de Lula e cobrou celeridade de Vorcaro pelo envio das informações pendentes. Dados oficiais da Lei de Acesso à Informação confirmam que o defensor esteve no Palácio do Planalto em dez ocasiões distintas ao longo dos anos de 2023 e 2024.

Relatos de encontros, recados e bastidores

Ao longo do segundo semestre de 2024, as mensagens passaram a citar contatos diretos e transmissões de recados atribuídos a integrantes da cúpula do governo federal. Em setembro, Warde afirmou ter estado “longamente” com o presidente e pediu reuniões imediatas com o cliente, embora registros formais de entrada não constem daquela data específica. Já em novembro, mencionou haver recebido manifestações do presidente e do Ministério da Justiça, chefiado na época por Ricardo Lewandowski.

O único encontro presencial formalmente admitido entre Lula e Daniel Vorcaro ocorreu fora da agenda oficial, em 4 de dezembro de 2024. Na data, o banqueiro ingressou no Planalto levado pelo ex-ministro Guido Mantega, que prestava consultoria ao Master, em reunião que contou ainda com a presença de Rui Costa, Alexandre Silveira e Gabriel Galípolo.

Pressões políticas e tentativa de contenção interna

Conforme as investigações avançavam, o banqueiro demonstrou desconforto com figuras de peso do Partido dos Trabalhadores que desconfiavam da solidez de sua instituição. Em março de 2025, Vorcaro procurou o advogado indagando como conter a atuação contrária de Gleisi Hoffmann, então ministra das Relações Institucionais, e de Aloizio Mercadante, à frente do BNDES.

A resposta do defensor apontava proximidade com ambos os interlocutores, embora Mercadante tenha negado categoricamente qualquer diálogo sobre o caso e reiterado suas suspeitas anteriores sobre a higidez do banco. O episódio ilustra o esforço contínuo da diretoria do Master para erguer blindagens políticas diante da iminente crise bancária.

Posicionamento do Palácio do Planalto e desfecho das apurações

Em resposta às revelações, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) enfatizou que o presidente Lula encontrou Daniel Vorcaro somente na reunião de 4 de dezembro de 2024 e sustentou desconhecer qualquer articulação de bastidor conduzida por Warde. O governo destacou ainda que Lula orientou que qualquer alegação sobre perseguições deveria tramitar pelas vias estritamente técnicas do Banco Central.

A tentativa de resguardo, contudo, não evitou o colapso do conglomerado. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e a Polícia Federal prendeu preventivamente Daniel Vorcaro sob a acusação de fraude bancária, selando o fracasso das negociações políticas e a posterior saída de seus advogados do processo.

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