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Mensagens da PF revelam que Daniel Vorcaro priorizou voo em jato executivo para escritório de esposa de Moraes

Mensagens da PF revelam que Daniel Vorcaro priorizou voo em jato executivo para escritório de esposa de Moraes

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro orientou uma empresa de aviação executiva a priorizar o atendimento a “Barci” no uso de uma aeronave particular. A determinação coincidiu com a data e o modelo de jato executivo no qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, foram flagrados desembarcando.

O episódio ganhou repercussão nacional após a divulgação de registros em vídeo divulgados pela imprensa, exibindo o casal descendo de uma aeronave executiva modelo Legacy 650. O registro audiovisual intensificou o escrutínio sobre as relações entre o meio empresarial e figuras da cúpula do Judiciário, especialmente diante do avanço de investigações federais.

As mensagens interceptadas pela Polícia Federal

De acordo com as apurações da PF, os diálogos ocorreram entre Daniel Vorcaro e uma representante identificada como funcionária da empresa Prime You. Nas trocas de mensagens, o banqueiro solicitava a disponibilidade de um avião para realizar a rota de Brasília até Roraima no final de agosto de 2025.

Em resposta ao pedido, a interlocutora informou a viabilidade de atendimento por meio do jato de prefixo PP-NLR. Contudo, ela ressalvou que havia um agendamento prévio da mesma aeronave para “Barci”, com previsão de decolagem a partir do Aeroporto Executivo Catarina, localizado em São Roque, no interior paulista.

Diante do conflito de horários e rotas, Daniel Vorcaro determinou expressamente a manutenção da reserva anterior: “Não deixe de atender Barci. Pode manter o dele. Vou ver outra forma”. O direcionamento confirmou a preferência dada ao voo que transportou o ministro e sua esposa.

Contratos sob apuração e uso de aeronaves

A investigação da Polícia Federal concentra-se em contratos firmados entre companhias ligadas a Vorcaro e o escritório de advocacia chefiado por Viviane Barci. Os relatórios policiais apontam que um acordo suplementar avaliado em R$ 50 milhões previa, entre as formas de remuneração de honorários, o direito ao uso compartilhado de cotas de aeronaves, abrangendo um helicóptero e o próprio Legacy 650 de prefixo PP-NLR.

O contrato em questão somar-se-ia a outro montante anterior de R$ 131 milhões envolvendo o Banco Master. A apuração busca esclarecer se a disponibilização contínua das aeronaves funcionava como contrapartida direta de honorários ou se configurava benefício indevido em meio às transações do grupo financeiro.

Contexto financeiro e alerta do Banco Central

O deslocamento ocorreu em um período de forte turbulência regulatória para os negócios comandados por Daniel Vorcaro. Cerca de um mês antes da viagem registrada, o Banco Central havia encaminhado um alerta oficial ao Ministério Público Federal (MPF), indicando fortes indícios de gestão fraudulenta em negociações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

A coincidência temporal entre as suspeitas levantadas pela autoridade monetária e a concessão de voos executivos elevou a pressão sobre os envolvidos. A oposição e setores do Congresso têm utilizado os dados da PF para cobrar explicações formais sobre o caso.

O posicionamento de Alexandre de Moraes e das defesas

O ministro Alexandre de Moraes e a defesa jurídica do escritório de Viviane Barci reiteram que não cometeram qualquer irregularidade e refutam veementemente a existência do contrato de R$ 50 milhões citado pelos investigadores, sustentando que o documento nunca foi assinado ou entrou em vigor.

Anteriormente, o gabinete de Moraes já havia divulgado nota oficial afirmando que o ministro jamais viajou em aeronaves pertencentes a Daniel Vorcaro ou manteve proximidade com os sócios do grupo financeiro. As novas revelações dos relatórios policiais mantêm o caso no centro do debate político e institucional do país.

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