Cármen Lúcia afirma que estaria presa caso tivessem êxito
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que sua situação seria o cárcere caso as articulações para uma ruptura institucional no país tivessem se concretizado. A afirmação foi feita durante sua participação na 1ª Festa Literária da Fundação Casa de Rui Barbosa (FliRui), realizada no Rio de Janeiro.
A magistrada utilizou o argumento para justificar a importância jurídica e social de se processar e punir crimes dessa natureza, mesmo que não consumados.
Ao comentar sobre questionamentos que recebe acerca da validade de julgamentos focados em uma “tentativa” de golpe, a ministra foi enfática. Segundo ela, a consumação do ato teria impedido a atuação do próprio tribunal e a manutenção da ordem vigente.
“Meu filho, se tivessem dado golpe, eu estava na prisão, não poderia nem estar aqui julgando”, respondeu a ministra, ilustrando a gravidade do cenário institucional que estava em disputa.
Durante sua explanação, Cármen Lúcia destacou que os inquéritos conduzidos pela Corte reuniram provas materiais das intenções golpistas. A ministra ressaltou a existência de documentos que citavam explicitamente o termo “neutralizar” em referência a magistrados do Supremo.
Para ela, o planejamento detalhado e registrado em palavras comprova que as ações ultrapassaram o campo da mera cogitação política. A magistrada elaborou ainda sobre o peso da linguagem nas instituições democráticas e no sistema judiciário.
Ela argumentou que, assim como as sentenças proferidas por juízes se baseiam na palavra escrita para terem eficácia, as ordens para subverter o Estado de Direito também se estruturaram verbalmente. “A palavra traduz a alma de uma pessoa”, pontuou, reforçando a materialidade das ameaças enfrentadas pelo Judiciário.
As declarações da ministra ocorrem em um momento em que o STF avança na execução penal de condenados ligados aos núcleos centrais das investigações sobre atos antidemocráticos.
A Corte tem consolidado o entendimento de que a preservação da democracia exige a responsabilização rigorosa dos envolvidos na idealização e financiamento de planos golpistas, independentemente do sucesso final da empreitada.
Cármen Lúcia finalizou sua participação reiterando que a democracia é um regime que demanda construção diária e vigilância constante.
Sua fala no evento literário serviu como um reforço público à legitimidade das decisões do Supremo, posicionando os julgamentos recentes não apenas como atos punitivos, mas como medidas necessárias para a sobrevivência das instituições republicanas frente a ameaças autoritárias.



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