Havaianas desafia a direita: Chinelo virou arma política e empresa sofre após grande boicote
Uma enorme polêmica tomou conta das redes sociais e da política brasileira nos últimos dias, envolvendo uma campanha publicitária da Havaianas que, inesperadamente, dividiu opiniões e gerou reações acaloradas de figuras conservadoras. O comercial de fim de ano, estrelado pela renomada atriz Fernanda Torres, foi interpretado por políticos de direita como uma crítica velada ao seu espectro ideológico, transformando um simples anúncio de chinelos em um campo de batalha digital.
No vídeo da campanha, Fernanda Torres aparece com leveza e humor, brincando com expressões populares relacionadas aos pés. Ela declara que não deseja que as pessoas comecem 2026 “com o pé direito”, mas sim “com os dois pés” – na porta, na estrada, na jaca ou onde quiserem. A mensagem incentiva ação plena, de corpo e alma, reforçando o slogan da marca: “Havaianas, todo mundo usa, todo mundo ama”.
No entanto, o trocadilho com “pé direito” foi visto por muitos como uma indireta à direita política, especialmente em um país polarizado, onde símbolos nacionais como o chinelo com a bandeira brasileira são carregados de significados afetivos.

A repercussão foi imediata entre líderes conservadores. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, publicou um vídeo nas redes sociais jogando um par de Havaianas no lixo, expressando sua decepção. Ele classificou a atriz como “declaradamente de esquerda” e lamentou: “Eu achava que isso aqui era um símbolo nacional”.
Outros parlamentares, como Nikolas Ferreira e Bia Kicis, ecoaram o descontentamento, com trocadilhos como “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”, e chamaram por um boicote à marca. Capitão Alberto Neto também se juntou às críticas, vendo na campanha uma deturpação de um ícone brasileiro querido por turistas e cidadãos comuns.
O impacto não ficou apenas no debate online. Nesta segunda-feira, 22 de dezembro de 2025, as ações da Alpargatas, empresa controladora da Havaianas, registraram queda na Bolsa de Valores brasileira (B3). Os papéis recuaram cerca de 1,37% por volta das 13h, após perdas que chegaram a 3% mais cedo, refletindo a sensibilidade do mercado a controvérsias que envolvem marcas populares e posicionamentos percebidos como ideológicos.
A Havaianas, conhecida por sua imagem descontraída e inclusiva, ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. A polêmica levanta questões sobre os limites entre criatividade publicitária e interpretação política em tempos de divisão acentuada. Enquanto uns veem apenas uma brincadeira inofensiva para promover liberdade e ousadia no novo ano, outros enxergam uma tomada de lado em um cenário polarizado. Vídeo
O caso ilustra como produtos do cotidiano podem se tornar protagonistas involuntários de embates maiores, afetando não só reputações, mas também o bolso de investidores.



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